Ao final da idade das trevas, acima da Linha do Equador, homens desafiaram o mar tenebroso em busca de novos caminhos, de nova terras, quem sabe, um Paraíso. Abaixo da linha do Equador, outros homens dançavam até seus corpos se tornarem leves e serem levados pelo vento, acima e além das grandes águas para alguma terra sem males, quem sabe, um Paraíso. A bordo das grandes canoas com asas viajavam padres, degredados, cartógrafos, bufões, soldados. Na praia, os aguardavam xamãs e guerreiros. Na linha branca de areia, começo de um caminhar, pra beira de outro lugar, esses homens se encontraram, devoraram-se, transformaram-se uns nos outros, amalgamados, mestiços, amedrontados e pasmos diante da morte.
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